As linhas de pesquisa e a construção do laboratório do GP Cartografia das cartografias dos povos da Amazônia: História Oral, Territórios tradicionais e Mapas da (r)existência. 

10/04/2021

O grupo de Pesquisa Cartografia das cartografias dos povos da Amazônia: História oral, territórios tradicionais e os mapas das "(r)existências" foi organizado sob iniciativa da egressa do doutorado do NAEA-UFPA , a historiadora e professora Alanna Souto Cardoso, idealizadora e autora do projeto IPPCS e atual coordenadora desse instituto. 

O IPPCS é uma associação de gestão de projetos administrado e elaborado sob direção de linhas de frentes de trabalhos coordenados por pesquisadoras dos povos da Amazônia e do campo negro seguindo as orientações e direções da coordenação geral eleita em assembleia geral no dia 25 de agosto de 2020. 

É o primeiro Grupo de Pesquisa do IPPCS em que teve como uma das primeiras parcerias o Núcleo de Altos Estudos da Amazônia ( NAEA) da Universidade Federal do Pará por meio da incentivo e do comprometimento de uma das pioneiros desse núcleo de excelência, a profa. dra. Rosa E. Acevedo Marin para com as investigações e os projetos que estão ligados a esse GP sob as autorias e conduções da profa. Dra. Alanna Souto Cardoso.   E ainda dentre os pioneiros que acreditaram no projeto IPPCS e na viabilidade de nossos projetos, o nosso grande mestre das Hidras e pântanos dos troncos e ninhos históricos quilombolas que tem nos correspondido com reconhecimento e respeito pelo trabalho que estamos trilhando nesse lindo jardim que tem florescido, o querido prof. Dr. Flávio dos Santos Gomes , professor permanente no programa de pós-graduação em História Comparada, no Instituto de História da UFRJ. É professor colaborador do programa de pós-graduação em História da Universidade Federal da Bahia (UFBA) .  

Já no campo da educação indígena em uma perspectiva libertadora de organização das coletividades indígenas, temos a presença do nosso grande sábio, um "doutor" de notório saber André Baniwa, em prol da produção  dos projetos próprios das comunidades indígenas em rupturas com os processos de subalternização do patronato em torno da sociobiodiversidade dos territórios indígenas enquanto ciência e da escolarização indígena, a exemplo das mobilizações dos povos Baniwa que conseguiram realizar com pionerismo a I Conferência Baniwa sobre Educação e Organização Social o qual ocorreu em 2016, um evento histórico, segundo o autor pisciano e mestre André Baniwa " (...) reuniu lideranças comunitárias e suas visões políticas (...) os mais velhos que carregam a tradição e cultura Baniwa, suas avaliações sobre o conceito de vida prática desde nossos ancestrais até os dias de hoje. Assim, compartilhamos entre nós a linha do tempo antigo com o apoio de pesquisadores indígenas que leram pesquisas e livros que contam a nossa história, que está registrada pelos não indígenas; a nossa linha do tempo sobre as décadas mais recentes, construída coletivamente na conferência ; e a linha do tempo contemporânea, bem mais recente, que, também, chamamos de "tempo de associação"  que se trata do tempo-espaço das associações Baniwa pós constituição de 1988 e o Bem Viver indígena bem colocado na obra desse educador e empreendedor, O Bem viver e o Viver Bem, segundo o povo Baniwa no Noroeste Amazônico brasileiro. Tal experiência tem nos inspirado e nos ensinado na articulação e na direção libertadora dessa associação ainda que o projeto IPPCS tenha um viés estatutário de visão plural, e não apenas específica. 

O Grupo de pesquisa Cartografia das cartografias dos povos da Amazônia: História oral, territórios tradicionais e os mapas das "(r)existências"  atualmente está configurando com as seguintes frentes de forças institucionais, além das referenciadas acima, e que estão ligadas diretamente , seja na colaboração acadêmica mais específica em cooperação com a centralidade desta gestão dos projetos, a citar o NEP-UEPA sob direção da profa. Dra. Ivanilde Apoluceno. E já no campo da parceria logística e , também, nas questões de ensino e planejamento estamos ligados a FUNBOSQUE.  O GP conta ainda com a força companheira do comprometido Núcleo de Estudos Afro-brasileiros ( NEAB-UEPA) sob coordenação do prof. Dr. Aiala Colares.  

Temos ainda outras parcerias institucionais com as universidades por meio de outros grupos de pesquisas que atuarão , também, em parcerias colaboradoras dos projetos na prática da pesquisa e do ensino, assim temos ainda na UFPA por meio da Educação Popular Feminista sob condução da profa. Dra Adriane Lima com importantes diálogos que vem fazendo com o Grupo de Estudo e Pesquisa em educação, Gênero e Feminismo (GEPEGEFI )do ICED e no campo do projeto 1 temos o profa. Dr. Fagno Soares do IFMA, campus açailândia, com seu importante trabalho no âmbito da história oral e memória no Maranhão da Amazônia Legal.  E , também, faz-se companheiro harmônico de diálogo , de reflexões e potencializando a missão dos primeiros projetos encaminhados, o prof. Dr. João Colares da Universidade do Estado do Pará (UEPA), vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Educação e à Licenciatura em Pedagogia, colaborando assim nas estratégias de mobilização de um bloco histórico de pesquisadores e pesquisadoras comunitárias no  âmbito da retomada do espaço (social) histórico dos povos da Amazônia e do campo negro  em parceria com a Educação popular.

A ideia é também, incentivar, no decorrer do mandato dessa primeira gestão IPPCS para que as outras membras responsáveis das linhas de frentes de trabalho possam está fundando seus grupos de pesquisas articuladas com as universidades e institutos de pesquisas competentes.

O Grupo de pesquisa diferencia-se da associação no sentido regimental por está mais focado nos debates científicos do que na "sindicância" que acompanha a maioria das linhas de frente de trabalho , tendo em vista isso, o nosso GP é formada por 7 linhas que , também , fazem parte da associação, mas no GP terão uma natureza mais científica de atuação e criação.

A centralidade da produção de um outro conhecimento advindo de pesquisadoras e pesquisadores/ ativistas e educador@s com pertencimentos e memórias dos territórios tradicionais e da periferia, dos campos e das urbanidades, postos à margem em um mundo de pesquisa que se faz hegemônico diante de outros raciocínios e racionalidades que vem das bases e suas emoções memoriais e territoriais antigas. E ainda quando terminamos uma graduação, mestrados e/ou doutorados vivenciamos ainda uma Universidade que tem passado por certa dificuldade em lidar de forma mais horizontal com essa demanda que nesse outro tempo está buscando a organização e defender seus lugares na academia , nas artes e literatura. E, também, em uma outra centralidade que passa a estabelecer com as gestões comunitárias junto com seus intelectuais que passam a demandar projetos e não apenas recebendo de cima para baixo ou mal incorporados com algum tutor ou tutora. 

Um novo tempo de práxis descolonizadora é construção de uma outra linha do tempo, não linear e e não presa em tempos fixos. Tempos móveis em uma cartografia histórica da resistência, um outro caderno de observações e com faces próprias. E independente , sem silenciar outr@ subalterno historicamente que não teve escolha a não ser lutar pelo conhecimento. É saber dar a mão para @s excluídos que falam, querem mais e se exibem ainda que invisíveis ao longo do Tempo- espaço , e que, no geral, tem sido mal lido, pouco ouvido e quase sempre sabotado pelo lugar do banco da educação bancária no poder.

Pela nossa orientação sem tutela, sem intermediários fragilizando nossos nortes. 

As linhas científicas dispostas no grupo Cartografia das cartografias dos povos da Amazônia: História oral, territórios tradicionais e os mapas das "(r)existências"   sob coordenação da prof. Alanna Souto Cardoso  são essas :

  1. A nova Cartografia histórica, terras tradicionalmente ocupadas e a memória oral coletiva. Coord. geral : Drª. Alanna Souto Cardoso, Dra. Shirley Nogueira e parcerias convidadas dos projetos mobilizados. LINHA DE ABERTURA.
  2. Mapeando a filosofia afro-diásporica, gênero e territórios raciais. 
  3. Mapa das periferias e espaços da resistência artística: visualidades, sonoridades e corpos atuantes. 
  4. Ciências e saberes indígenas, mapas das resistências e outras narrativas dos povos indígenas.
  5. Cartografia das cartografias ribeirinhas, identidades étnico-raciais e suas "encruzilhadas" das territorialidades. 
  6. História da Ciência e dos saberes tradicionais: Práticas territoriais de saberes, propriedades intelectuais e outros mapas (bio)medicinais da mãe Pindorama amazônica e do Atlântico negro em Abya Yala.
  7. Por uma cartografia dos direito dos povos da Amazônia : memória, sóciobiodiversidade, a rede científica  e auto gestão demarcatória para um outro ordenamento jurídico.  Pelo viés dos projetos comunitários versus a face do Estado e os grupos de pesquisas/ empresariais hegemônicos. 
  8. Mapas dos povos tradicionais e vozes da periferia para a Educação: Resultados das linhas de ações científicas e sociais para o ensino e pesquisa.