Páginas espaciais de saberes tradicionais


PRÁTICAS ESPACIAIS E DIÁSPORAS FILOSÓFICAS DE SABERES TRADICIONAIS EM COMUNIDADES DE MATRIZ AFRICANA. DIÁLOGOS ENTRE DOIS MUNDOS- ÁFRICA/ AFRO-AMAZÔNIA E AS INTERCULTURALIDADES.


Membro responsável:
Dra. Selma Brito

No âmbito de luta dos povos e comunidades de matriz africana para manutenção, preservação e realização das suas práticas e de seus saberes tradicionais milenares essa linha busca propor a construção de um mapeamento histórico atualizado dos saberes a partir de seus múltiplos contextos. Demonstrando como a etnicidade desses povos se coloca acima, ou melhor, transcende a identidade afro-religiosa e passam se organizar enquanto comunidade tradicional de matriz africana. Nesse sentido entrando nas disputas por suas territorialidades e seus territórios no âmbito da cidade que tem outros demarcadores de limites e processos civilizatórios.

E tal mapeamento urge por uma atualização histórica no sentido de buscar os acervos africanos e tradições orais das Áfricas referente aos povos africanos em diásporas para o Atlântico no período do tráfico negreiro. Sendo assim há necessidade do diálogo com pesquisadores africanos, fontes locais e com representantes de comunidades tradicionais africanas a respeito dos ancestrais africanos em processos diaspóricos para Amazônia. Intercambiar pesquisadores e representantes dessas comunidades. Não para reproduzir uma África originária ou mítica, mas para reconstruir percursos, encontros e desencontros entre esses dois mundos e das Áfricas que se recriaram com os povos amazônicos. Rupturas, permanências e resistências.

Cartografar saberes, também, envolve investigar a formação do pensamento na Amazônia referente as elaborações de suas epistemologias nativas, sobretudo, repensar o espaço filosófico Amazônico que ainda se faz espelho da produção filosófica europeia e pouquíssimo dialoga com a tradição filosófica africana de modo avaliar a própria composição filosófica das Áfricas que, também, constituíram os diversos modos de conhecimentos na Amazônia, assim como os povos indígena que aqui já habitavam. Formando assim um espaço afro diaspórico que compartilhou relações com diversos povos nativos. Tal incipiência desse campo de investigação alimenta cada vez mais o epistemicídio do pensamento afro-amazônico, resultante do intenso colonialismo interno. O que se torna ainda mais grave a ausência quando se trata de corpos femininos afro descendentes em que essas mulheres em diversos contextos da África do passado é uma referência matriz, de liderança e matriarcado, inclusive, na gestão política. É nesse sentido que o campo de estudos subalternos comprometidos com o exercício de descolonizar o saber científico filosófico, a memória histórica e a retomada da ancestralidade demarcando essa consciência filosófica africana na Amazônia que precisa libertar o seu corpo, a mente, o território filosófico racial e o gênero das invisibilidades, opressão e das amarras ocidentais.