ANALÚ BATISTA DOS SANTOS

01/04/2021

Nome: Analú Batista dos Santos, mulher negra, Quilombola, trabalhadora rural, ribeirinha, artesã, funcionária pública municipal, professora de Língua portuguesa e futura advogada com área de atuação em Direito Agrária e direitos humanos.

Cursar uma faculdade foi sempre um sonho que se tornou meta e hoje é realidade, mas para isso sair da zona de conforto foi necessário, pois nas comunidades, na zona rural a questão do ensino era muito difícil.

O ponto de partida foi na escola localizada no setor do campinho onde a genitora era servente e levava sua cria desde muito bebê, os alunos e o professor firmo eram as melhores babás que a pessoinha teve em seguida o novo local de estudos foi a casa da dona Lurdes uma professora, doce e muito dedicada que dava aulas em sua própria casa e os seus alunos eram "alunos jacaré" além da multi série, após isso a professora Rosica recém chegada da capital Belém foi quem tentou educar seus "jacarés" no barracão da Dona Paula no setor da cabeceira, mais adiante a escola de palha margem direita na entrada do igarapé Aracajú no setor aracajú foi o abrigo de todo o público estudantil da época e formalmente o salão da Igreja Católica foi onde na escola comunitária financiada pelas doação de italianos a pessoinha entrou no jardim de infância a roupa era uma jardineiro há de cor azul e uma blusinha xadrez (exército de Pinóquios) - Padre Silvério e Guiliana eram os padrinhos dessa formação das igrejas eclesiais de base houve na comunidade um intervalo de 10 anos sem escola física na comunidade e as pessoinhas fora da escola, após esse período a comunidade ganhou uma escola comuna sala de aula e a professora Maristela ministrou aulas durante algum tempo, depois disso mais uma vês voltaram as pessoinhas a remar uns bons quilômetros para estudar no barracão da professora Joana D,arca uma professora muito paciente.

Houve um vácuo a comunidade ficou 10 anos sem uma escola e as pessoas pertencentes a Igreja Católica novamente fizeram multidão e os mesmos padrinhos dos pessoinhas do jardim de infância presentearam a comunidade com o jovem professor Everaldo Serra Cardoso que no mesmo local Igreja Católica enfrentou as turmas multisseriadas nós períodos da manhã e da tarde.

A E.E.E.F. Aureliana Monteiro (Ponta de Pedras)foi o novo local de formação de Analú que foi morar em casa de família com a promessa de casa, comida e estudo(prática muito comum praticada com as meninas pretas e pobres), após problemas houve alforria e Valdomiro e Candinho (adotaram a criança e a vida se tornou mais fácil para estudar), a complementação do ensino fundamental foi na E.E.E.F. e Médio Ester Mouta e com a necessidade de uma melhor formação e entrar em uma faculdade a pessoa foi estudar na E.E.E.M. Avertano Rocha no distrito de Icoaraci onde tirou o 2⁰ Grau (Curso técnico em Administração).

O tempo passou e tempos depois veio a graduação de Licenciatura em Letras Língua portuguesa pela UAB - UEPA Pólo Dalcídio Jurandir. Tempos depois veio A graduação de Bacharel em Direito.

Ante o exposto é preciso ressaltar que a formação das igrejas eclesias de base foram uma constante na vida da jovem Analú, que os movimentos sociais sindicatos e colônia de pescadores foram formação muito boas, que o ativismo social sempre foi uma constante na trajetória dessa pessoa que quando ela era pequena pensava em ser advogada para mandar prender as pessoas que ameaçavam seu pai de morte por ele lutar e defender as pessoas da comunidade no sentido de poder pecar nos lagos e viverem do extrativismo no atual território dia Remanescentes de Quilombo de Rio Gurupá.

A pessoa saiu do território para obter formação, mas o território nunca vai sair da pessoa, isso é tão real e presente que a pessoa sempre se preocupou e ajudou a comunidade e comunitários em várias batalhas bem difíceis com relação aos conflitos no território e com os Quilombolas.

Defender as pessoas tratadas como minorias é uma meta, uma obrigação moral e social !

Lutar contra todas as formas de discriminação, preconceitos e racismos é uma necessidade!

Defender a dignidade humana das pessoas e dos povos e comunidades tradicionais, de mulheres e de crianças é uma missão!

A Quilombola Analú tem uma personalidade forte, se veste com cores vibrantes, quase sempre é vista usando turbante, é uma pessoa comunicativa de sorriso largo e que dá gargalhadas quando se sente a vontade, ama a terra , plantar é uma das paixões.

A pessoa Luta, dança e joga Capoeira.

Ama ouvir música(gosto eclético), com tendência voltada aos Samba de raiz e a boa MPB, mas quando ouve um carimbó não consegue ficar parada.

Texto de AnaLú. 

AnaLú vai atuar nos projetos ligados a linha de frente 1 vinculada ao GP " Cartografias das cartografias dos povos da Amazônia: História oral, territórios tradicionais e mapas da (r)existência. E vai compor ainda a inauguração da linha de frente 5 LINHAS DE AÇÕES CIENTÍFICAS E SOCIAIS  junto com a coordenação institucional instalada. É ainda uma das autoras da 1a coletânea do selo Nossas Vozes : Autoras Amazônidas e alguns ensaios : memória, ensino, periferia/tradições, questões étnico-raciais e pertencimentos .EDITORA IPPCS

Para entra em contato com essa Quilombola que ama ser livre e fora da curva basta enviar um e-mail para: analuzpmca@gmail.com